A AIESEC é uma rede global que tem o objetivo de estimular a descoberta e o desenvolvimento do potencial de liderança dos seus membros, a partir do trabalho dentro da organização e de intercâmbios profissionais, para que impactem positivamente na sociedade.
Conrado Kaczynski viveu a experiência de liderança dentro da organização. Ele foi presidente da AIESEC em Porto Alegre em 2006, Diretor de Desenvolvimento da AIESEC no Brasil em 2007 e presidente da AIESEC no Brasil em 2008. Atualmente, trabalha com empreendedorismo no Instituto Endeavor. Confira a entrevista de Conrado sobre mercado de trabalho e liderança.
1- A FIAT já firmou acordo com 44 universidades nacionais e internacionais para aumentar o interesse dos universitários por suas oportunidades. A geração Y é conhecida pela rapidez das experiências e alto fluxo de informação. Quais devem ser os focos do estudante universitário para que esteja preparado para o mercado quando estiver diplomado?
Acredito que nesta fase o foco é obter uma alta VARIEDADE de experiências. Pode ser trabalhar em lugares diferentes, executar diversas funções em um mesmo lugar, realizar trabalhos voluntários, estágios, organizar atividades na faculdade, criar projetos, escrever um blog, viajar. Tudo isso vai gerar um auto-conhecimento que vai ser importante para um universitário entender onde estão os seus pontos fortes, que ainda precisa ser aprendido, o que gosta de fazer e que tipo de trabalho se quer desenvolver depois que estiver com o diploma.
2- Qual foi a situação pessoal de maior dificuldade como líder?
Várias, a maioria delas relacionada a pessoas. Um dia voltei de uma viagem de 20 dias e encontrei minha equipe de 10 pessoas desalinhada, sem vontade de trabalhar e de mau-humor. Estávamos longe das metas, com prazos curtos, psicologicamente cansados e precisávamos de muito esforço para reverter a situação, mas não tínhamos um pingo de energia para dar a volta por cima. Fui atrás da nossa coach profissional e depois de ouvir que a situação era realmente tão ruim quanto eu pensava, passamos 2 horas montando o conteúdo de um discurso que eu teria que ter com eles, e escolhendo o momento certo para isso. Acertamos no ponto. Nunca tinha visto tanta energia surgir do nada. Nessas horas não adiantou nada do que aprendi na faculdade, método nenhum resolveu e dinheiro era inútil. Foi tudo na fala.
3- Qual o seu perfil ideal de líder? Em quem você se espelhou?
Não consigo ver nenhum perfil que seja ideal. Acho que cada situação, e mesmo cada momento dentro da mesma situação, requer um perfil diferente. Considero competente aquele líder que consegue adaptar suas atitudes de acordo com o momento, sabendo alternar com fluência entre centralização e descentralização, entre foco no curto e longo-prazo, ou entre o caos e a organização. De modo genérico, acho que em todo líder deve agir com o princípio de atingir resultados através das pessoas.
Aos 13 anos tive um professor que sabia lidar com gente melhor que qualquer pessoa que conheci até hoje. Uma das pessoas que eu coordenava tinha uma capacidade de mobilização e influência enorme dentro da equipe, mesmo não estando na posição de “chefe”. E um dos presidentes da AIESEC que eu conheci falava de uma forma tão persuasiva e envolvente que acabava conseguindo convencer e levar as pessoas à ação em quase todas as idéias que comunicava. Essas foram algumas pessoas em quem eu me espelhei.
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