Uma cidadã global na Bolívia
Trabalhar por causas sociais é muito importante para quem é beneficiado. No entanto, a gratificação pessoal de quem se esforça para ajudar o próximo supera todos os obstáculos e faz da meta alcançada uma experiência inesquecível. Quando realizado em uma realidade totalmente diferente daquela em que se vive, o trabalho social ganha um significado ainda mais relevante, tendo em vista que só é possível conhecer a si mesmo por meio do outro, do aparentemente diferente.
Mariana Salomão cursa o 4° período de Direito na Universidade Federal de Juiz de Fora. Em sua faculdade, ela costuma ouvir falar em Direitos Humanos. Mas a teoria só se torna relevante quando é colocada em prática. Por isso, ela decidiu agir. Escolheu fazer o intercâmbio da AIESEC “Cidadão Global” em um país economicamente pobre, mas riquíssimo em cultura e em hospitalidade: Bolívia. Veja um pouco do que ela tem a contar sobre esta experiência:
Brasil e Bolívia: proximidade e contrastes
“O intercâmbio na Bolívia foi interessantíssimo, uma vez que este país possui uma cultura muito diferente da nossa. Foi bom ter a oportunidade de viver em um lugar cuja maior parte da
população vive no campo e ver línguas nativas que se mantêm tão vivas – Quechua e Aymará – ao lado da língua espanhola. É curioso, também, ver as cholas, índias bolivianas que andam com roupas típicas por toda a cidade. Além disso, a Bolívia oferece lindas paisagens, muitas delas, não temos no Brasil, o que torna a ida ao país ainda mais fascinante.
Fui muito bem recebida pelo povo boliviano, principalmente, pelos membros da AIESEC, que fizeram questão de me apresentar todos os aspectos culturais da Bolívia.
A principal diversidade que eu encontrei foi a comida, que é bem diferente da do Brasil. Eles não têm o costume de comer feijão e massas, por exemplo; além disso, a comida é bastante apimentada, por causa do llajwa, molho bem picante usado em muitos prato. É sempre bom experimentar uma quantidade pequena, porque há llajwas mais picantes que outras, e também não é bom abusar, porque não estamos acostumados com algo tão forte. Normalmente, a refeição é composta por sopa, seguida do prato principal e, por fim, a sobremesa.
A grande quantidade de comércio informal praticado na Bolívia é outra diferença cultural. É bom barganhar, porque o preço sempre cai. Os táxis não possuem taxímetro, o que torna necessário combinar o preço antes da corrida. Na maioria das vezes, também é possível barganhar (e quando não o é, sempre há outro táxi que vai aceitar sua proposta).
A experiência sócio- profissional em Cochabamba
Trabalhei por três meses em Cochabamba, cidade do interior da Bolívia, de segunda a sexta, na Fundación V.I.D.A. Plena, de 8h às 18h. Primeiramente, o trabalho consistiu em arrecadar recursos para a realização do “Acampamento Nacional para Crianças e Jovens Diabéticos”, para o qual nós
conseguimos 4000 euros da fundação alemã Insulin Zum Leben, além de outros recursos de empresas bolivianas. Com um montante suficiente, passamos a planejar o acampamento, que se realizou em Santa Cruz de La Sierra, de 21 a 24 de janeiro de 2010.
Após o evento, trabalhamos no projeto “Laboratório Móvel”, que consiste em possibilitar o acesso a certos exames a diabéticos e a pessoas que correm o risco de desenvolvê-la. O objetivo é a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença, a fim de evitar possíveis complicações. Nossa missão foi organizar o projeto e enviá-lo a fundações internacionais, com o intuito de conseguir doações.
Este intercâmbio me fez aprender a lidar com situações, muitas vezes difíceis, uma vez que a fundação na qual trabalhei contava com poucos recursos. A liderança e o trabalho em equipe foram fundamentais para buscar patrocínio e realizar projetos , gastando pouco dinheiro.
Por meio desta experiência, conheci mais sobre a Diabetes, doença que afeta inúmeras pessoas no mundo inteiro. Além disso, o período em que estive em um dos países mais pobres da América Latina foi muito importante para desenvolver o autoconhecimento. Ver a realidade do povo boliviano de perto foi fundamental para que eu pudesse ampliar minha visão de mundo e, também, melhorar minhas atitudes com relação às pessoas.”




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